quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Criacionismo x Evolucionismo


O pensamento científico dominante explica a vida na Terra pela Evolução Biológica das Espécies, o que desagrada certas religiões baseadas na Gênese Bíblica.
Nos EUA, estados sulistas como Arkansas, Mississippi e Oklahoma, de maiores índices de racismo e subdesenvolvimento, proibiam o ensino escolar de conceitos evolutivos até os anos 60, quando a Suprema Corte concluiu ser uma violação de sua Primeira Emenda Constitucional, que proíbe a influência religosa no Estado e Educação.
O Criacionismo, que recusa a Evolução e mantém a fé na criação divina, tentou se infiltrar no sistema educacional mas por seu caráter religioso ser ilegal passou a se articular de forma cientificista, visando ser considerado secular.
Cientistas Religiosos aderiram à causa, os Criacionistas "Científicos" possuem títulos acadêmicos em áreas afins e tentam enquadrar dados da natureza na revelação bíblica com a "Ciência" da Criação, normalmente rejeitando também a teoria científica dominante de origem do Universo, o Big-Bang.
Esta página pretende examinar tal movimento, que embora no Brasil não tenha a mesma força, se infiltra em comunidades religiosas em geral Protestantes, com ampla presença na Internet, e é para muitos uma Cruzada com ideais indo desde a simples divulgação ideológica à pretensão de banir o Evolucionismo dos meios acadêmicos e científicos. Não é objetivo atacar a Religião, mas demonstrar em linguagem simples, para o público leigo, a verdadeira natureza do Criacionismo, e o porquê da Evolução.


Quem está por trás do CRIACIONISMO "CIENTÍFICO"?

Não são apenas leigos, crentes e fundamentalistas, também há Teólogos e Cientistas, que defendem o relato bíblico da criação de um ponto de vista cientificista.

Seguramente, tais pensadores não se inclinam para o Criacionismo, e passam a combater a Teoria da Evolução ou do Big Bang, através de um processo de questionamento científico, pesquisa empírica ou investigação racional. Invarialmente, convertem-se primeiro à religião por motivos evidentemente subjetivos, ou nascem nela, e então convencidos de que tais propostas científicas são uma ameaça à sua fé, devido a sua interpretação literalista da Gênese Bíblica, partem para uma cruzada que inclui coletar dados ou elaborar raciocínios, razoáveis ou não, contra o Evolucionismo, com o objetivo de abalá-lo independente de que ele seja válido, pois o que está em jogo é antes uma questão de visão de mundo religiosa do que uma explicação naturalista e científica.

Os ataques por eles lançados vão desde argumentos racionais e muito bem elaborados, alguns com notáveis questionamentos científicos, até as mais absurdas falácias. Mas é possível observar que possuem geralmente uma base em comum.

A grande maioria das proposições dos Criacionistas baseiam-se em alguns dos motivadores a seguir.

"Ser Evolucionista é ser Ateu."

Essa é a afirmação principal por trás de todo o fenômeno CRIACIONISTA. A razão pelo qual muitos se lançam nessa cruzada que para alguns fundamentalistas é uma Guerra Santa. Porém é uma base infundada.

Não há nenhuma conexão necessária entre Evolucionismo e Ateísmo. O fato de se considerar que os seres vivos evoluíram em estágios progressivos dentro de um processo biológico de adaptação não exclui por si só, a idéia de uma inteligência superior que controle ou tenha criado o Universo.

Quem insista nesta idéia se mostra claramente pouco informado a respeito de outras religiões que não Cristã ou Judáica tradicionais. Caso contrário saberiam que existem religiões totalmente compatíveis com a idéia evolucionista.

Nestas se incluem por exemplo inclusive duas religiões para-cristãs, o Racionalismo Cristão e o Espiritismo Kardecista. Também a Terceira e Quarta maiores religiões do mundo, Hinduísmo e Budismo, não entram em choque com o Evolucionismo e nem sequer com qualquer outro conhecimento científico. Na verdade isso não acontece praticamente com nenhuma religião não Monoteísta.

O que está por trás desse pensamento é o Fundamentalismo, de que a única visão de Deus verdadeira é a do Jeová Bíblico, do YHWH judaico e do islâmico Alá. Todos deuses Monoteístas, e na verdade são enfoques distintos de uma mesma idéia de divindade.

Entretanto nem mesmo esse tipo de Deus é necessariamente invalidado por uma visão Evolucionista ou Bíblica esclarecida. A própria Igreja católica já declarou isso ao transferir o mito do Éden para um plano espiritual ou psíquico e não necessariamente antropológico.

Porém uma coisa é certa. A Teoria da Evolução necessariamente invalida a versão literal da Gênese bíblica. E é exatamente desse literalismo que muitos criacionistas não estão dispostos a abrir mão.

"O Evolucionismo declara que a vida surgiu e se desenvolve por mero Acaso."

Outra distorção. O Evolucionismo em si não afirma explicitamente que o Acaso é o responsável por todo o fenômeno da vida. A evolução é regida pelas leis de Seleção Natural e Adaptação, e pelas demais leis da natureza.

A combinação química primordial a nível físico pode ser obra do acaso, mas de forma alguma isso evidencia a total ausência de um direcionamento qualquer por trás da evolução, ainda que isso seja possível. Se o processo se iniciou por acaso, isso não significa que o mesmo acaso irá imperar em todos os estágios.

Uma analogia simplista mas eficaz: O fato de eu achar uma moeda num jardim pode ser obra do acaso, mas se após isso eu passar a vasculhar meticulosamente esse mesmo jardim, alterando sua aparência e coletando diversas outras moedas ou coisas diferentes, não posso dizer que tudo o que achei e que todas as intervenções no jardim são obra do acaso.

"A Evolução invalida Deus."

Embora a Evolução constitua um baque na concepção tradicional das religiões adeptas da Gênese, ela não aborda a questão da existência de um Deus.

Falta aos criacionistas mais tradicionais nesse caso, um mínimo de flexibilidade. Não poderia o complexo processo natural de evolução, seleção e adaptação ser obra de algum tipo de inteligência suprema? Nesse caso bem mais avançada do que um Deus monoteísta que tudo tivesse criado ao mesmo tempo, pois teria conseguido colocar num só átomo, todo o conteúdo necessário ao desenvolvimento do Universo, e numa só sopa primordial de substâncias, todos os ingredientes que seriam usados na construção de toda a complexidade biológica que conhecemos. Não poderiam as mutações e outros processos ainda pouco claros na Evolução, serem obra de alguma inteligência?

É claro que a Ciência não se pronuncia sobre essas questões por que não são de sua alçada, que é o que as Religiões também deveriam fazer ao invés de se intrometer em assuntos físicos sobre os quais não têm domínio.

Mas basta ter uma mente aberta para perceber que Evolução não exclui inteligência e planejamento, portanto são outros fatores, não a Evolução, que fundamentam o Ateísmo.

Mais uma vez é o Fundamentalismo a atuar por trás desse pensamento, a idéia de que somente a "palavra de Deus" escrita na Bíblia, pode ser aceita como uma verdade literal, independente do que nos dizem os fatos.

"A Evolução é apenas uma teoria. Com muitas falhas e incoerências."

A Evolução Biológica é tida no campo das ciências como um fato inquestionável, devido as inúmeras evidências que a suportam, o que está em jogo é a explicação de "COMO ela OCORREU". E nesse campo que entram as Teorias Evolutivas, das quais a Neo Darwinista tem sido esmagadoramente a mais aceita, ainda que muitos de seus pontos estejam em discussão.

Os criacionistas com frequência usam citações de cientistas que discordam em aspectos do Neo Darwinismo para dar a impressão de que estes põem em dúvida a própria Evolução em si, o que está simplesmente fora de questão no campo científico.

A Evolução é fato, já o Neo Darwinismo é sim uma Teoria, mas pretender com isso desqualificá-lo como uma explicação consistente constitui uma ausência de qualquer conhecimento básico em Ciência. O fato de se basear em Teorias não torna o Evolucionismo indigno de crédito. Estamos cercados de conhecimentos e conquistas científicas concretas que se baseiam em teorias.

Teoria em Ciência não um simples "eu acho". É um raciocínio muito bem elaborado e desenvolvido, embasado em observação e experiência. A Teoria da Evolução explica praticamente todos os aspectos biológicos da natureza, é a base da Ciência moderna cujos avanços nas áreas de medicina podem ser experimentados por todos. Até agora nada foi capaz de abalá-la, pelo contrário, a cada dia ela fica mais sólida e mais enigmas vão sendo solucionados.

Evidentemente há pontos obscuros, como em praticamente qualquer campo da Ciência, mas são pontos que vêm sendo cada vez mais esclarecidos, e não problemas insolúveis.

A maioria dos Criacionistas que atacam o Evolucionismo não devem ter muito a dizer sobre a Física Nuclear, cujas realizações são tão úteis quanto perigosas mas muito promissoras. Apesar de todo controle que a Ciência já exerce sobre o átomo, não há certeza absoluta de que o modelo atômico seja exatamente da maneira como imaginamos. A Teoria das Supercordas propõe um modelo bem diferente do de pequenas partículas girando em torno de um núcleo. Entretanto nada disso invalida as conquistas da visão atual.

Da mesma forma o Evolucionismo pode até ser completamente reformulado algum dia, pode mesmo até ser refutado, mas isso não significa que ele atualmente não seja tão válido quanto plenamente útil, e capaz de explicar com clareza e precisão diversos aspectos da natureza e da humanidade que o Criacionismo não chega nem perto.

O mais impressionante é que se o Evolucionismo têm alguns pontos obscuros, o Criacionismo Bíblico não têm nenhum ponto claro! Ele não explica como a raça humana se espalhou através do mundo até pontos tão remotos quanto o Ártico ou a Austrália num período de centenas de milhares de anos. Principalmente com uma visão de que a Terra tenha menos de 10 mil anos. Afirma que a raça humana surgiu na Mesopotâmia, ignorando registros antropológicos centenas de milhares de anos mais antigos em diversos outros pontos do mundo principalmente a África. Não consegue explicar por quê toda a diversidade étnica das raças se todos evoluíram de um casal branco, e posteriormente da família de Noé. Nada diz de claro a respeito dos dinossauros, nem mesmos dos grandes mamíferos do paleolítico. É incapaz de relacionar os períodos geológicos terrestres com o desenvolvimento dos seres vivos. Além de inúmeros outros fatos da Natureza.

Isso não quer dizer entretanto que os criacionistas não tenham suas respostas, mas elas invariavelmente são respostas evolucionistas, da parte do evolucionismo que eles aceitam, ou são apenas conjecturas não raro de teor sobrenatural.

"A Evolução não é uma Teoria Científica, sendo uma Hipótese Não-Testável."

Considera-se em Ciência, que para uma hipótese ser cientificamente válida ele deve ser Falseável, ou Testável. O que significa que deve ser possível demonstrar que ela está correta ou não.

Por Exemplo: Se alguém afirmar que há uma bolinha vermelha dentro de uma gaveta, posso verificar se é verdade, constatando ou não a existência da bolinha lá. Essa é uma hipótese testável.

Mesmo se alguém afirmar que a bolinha é invisível, essa hipótese continua testável, pois eu posso detectar a bolinha de outras formas que não sejam minha visão.

Mas se for dito que a bolinha além de invisível é intangível e indetectável por qualquer meio, então a hipótese se torna não testável. Poderia até ser verdade, mas como não é possível provar, ou reprovar isso, a hipótese se torna Não Falseável, e consequentemente inútil, não fazendo diferença que seja verdade ou não, além de causar um Paradoxo, pois se é impossível perceber a bolinha, como a pessoa pode saber e afirmar que ela está lá?

Hipóteses que não possam ser verificadas não são então científicas, mas se houver chance para demonstrar que a hipótese ou a Teoria (que pode englobar várias hipóteses), está errada, então ela pode ser científica.

Nesse caso a Teoria da Evolução é perfeitamente Científica, sendo plenamente falseável. Os próprios criacionistas demonstram que isso é verdade, pois vivem tentando provar que a Evolução não pode ter ocorrido, o que seria verdade se:

1 - Fosse possível demonstrar, como o próprio Darwin já previa, que exista na Natureza um organismo cuja existência não pudesse ser explicada pela evolução. O que muitos criacionistas vem tentando fazer com a Hipótese da Complexidade Irredutível.

2 - Pudesse ser provado que a Terra possui uma Idade muito inferior à necessária para que o processo de Evolução tenha tido tempo de ocorrer. O que vários Criacionistas de Terra Jovem tentam fazer com os argumentos que tentam convencer que a Terra, ou o Universo não pode ser tão antigo quanto afirmam os cientistas.

3 - Os fenômenos em que se baseia a Evolução, como as Mutações, Derivações Genéticas, Especiações e etc, pudessem ser negados. O que a maioria dos Criacionistas já desistiu de tentar.

Essas possibilidade demonstrariam a inviabilidade da Evolução, porém, nenhuma delas até agora foi demonstrada.

Em contrapartida os Criacionistas com frequência colocam suas teorias no plano do indetectável, como afirmar que Deus teria criado um mundo há menos de 10 mil anos, mas com toda a aparência pronta de bilhões de anos, de modo que fosse impossível percebê-lo, ou que a Criação é um fenômeno isolado no princípio dos tempos, que não pode ser replicado em nível algum, diferente da evolução, que acontece claramente diante de nossos olhos pelo menos em níveis menores.

"Nunca foi encontrado um fóssil que comprove a Teoria da Evolução."

Esse é indiscutivelmente o mais problemático e muitas vezes, com o perdão da palavra, mais falso de todos os argumentos dos Criacionistas. Há muitos fósseis mostrando os estágios gradativos que levaram à evolução das espécies.

Sem dúvida que há escassez de fósseis, lacunas para as quais ainda não se encontraram, e talvez jamais se encontrem, fósseis que representem certas transições, pois a fossilização é um fenômeno raro e sem dúvida a maioria das espécies que já existiram na Terra desapareceu sem deixar rastro. Mesmo assim há fósseis mais do que suficientes para corroborar a evolução, ainda que o processo não esteja inteiramente elucidado.

O que muitos criacionistas fazem é não aceitar que tais fósseis sejam transicionais e chegam a alegar que não há nenhum registro fóssil entre uma espécie e outra. Claro!

Porque a evidência evolutiva entre duas espécies é uma outra espécie!

Há registros de espécies hominídeas cada vez mais avançadas entre o homo sapiens e os hominídios, como o Homo erectus e os Australopitecus.

Há fósseis de animais que se enquadram perfeitamente entre zonas de transição entre prováveis répteis e aves, como o famoso Arqueoptérix, ou híbridos de anfíbios, como o Ichiostega. Além do que as mais recentes descobertas sobre dinossauros evidencia uma ligação ainda maior destes com as aves, já se propõe inclusive que o Velociraptor tivesse penas. *1

Novos fósseis de espécies que jamais havíamos conhecido, e que viveram muito pouco na Terra, são achados quase todos os dias, basta consultar qualquer paleontólogo para confirmar isso.

Declarar que não há registros fósseis que sustentem o Evolucionismo é uma evidência da insensatez de muitos criacionistas, pois ao invés de discutir sobre a mais forte evidência da evolução, preferem dizer que ela não existe.

Mas é provável que o argumento da inexistência dos fósseis seja ainda menos sério de que parece, na verdade, tenho convicção de que poucos até hoje, inclusive os próprios criacionistas, compreenderam bem a essência deste argumento, e perdem seu tempo discutindo sobre ele sem perceber que não se trata de uma afirmação testável.

Não importa que se apresente um fóssil transicional entre uma espécie A e outra B, pois o criacionista irá dizer que tal fóssil é de uma outra espécie distinta. Se for apresentado um outro ainda mais intermediário, afirmarão ser uma outra espécie, e por fim, se forem demonstrados dezenas de fósseis de estágios intermediários entre duas espécies, os criacionistas simplesmente afirmarão que são dezenas de espécies distintas que foram extintas.

Portanto trata-se apenas de confundir o significado de "fóssil transicional", que como já foi dito, representa sim uma espécie distinta, como um elo entre uma espécie e outra, ainda que seja uma espécie de pouquíssimo período de existência. Convém lembrar também, que não se usa mais a expressão "Elo Perdido", pois esta sugere uma idéia excessivamente simplista.

Esse argumento só tem certo eco, porque a maioria das pessoas ainda pensa na evolução como um processo repentino, brusco, como se de repente de uma geração para outra um réptil se transformasse numa ave.

Há entretanto, para a notável ausência de uma série de estágios evolutivos, as tidas lacunas da evolução que constituem sim um problema, algumas explicações, sendo o "Equilíbrio Pontuado" uma das mais comuns. Afinal a ciência é um processo contínuo de busca e descoberta, e sempre terá desafios pela frente.

"Não há evidências da Evolução."

Não é preciso nem apelar para fósseis, basta observar os animais na natureza em graus de evolução. Nem os criacionistas negariam que nós nos parecemos muito mais com um primata do que com um cachorro. Ou que temos bem mais em comum com um cachorro do que com um peixe. E que ainda partilhamos mais características com um peixe do que com uma aranha.

Não por acaso os animais inferiores são os de linhagem mais antiga na natureza, enquanto que os superiores são os mais recentes. Os primatas não remontam sequer há 4 milhões de anos na Terra, enquanto que os répteis têm ancestrais há mais de 50 milhões, e os artrópodes há mais de 200 milhões, e os organismos microscópicos há quase um bilhão.

A maneira como as espécies se distribuem ao redor do globo também demonstra claramente que quando mais distantes entre si, mais elas se diferenciam, o que é impossível de explicar se considerarmos a Gênese Bíblica e o Dilúvio Global, aceitos como fatos pelos criacionistas.

Além disso observemos o desenvolvimento fetal do ser humano, a cada mês o futuro bebê se parece mais com um animal superior, ele começa se assemelhando a um anfíbio, depois passa a parecer um réptil, num certo estágio lembra um quadrúpede até por fim parecer um primata e pouco antes do nascimento um humano. Para finalizar, o recente mapeamento genético está liquidando a maioria das antigas dúvidas, ao criar um quadro evolutivo de nosso DNA cuja a espécie que mais se assemelha a nós é o chimpanzé, com 99% de semelhança. Essa mesma técnica tem sido aplicada também em fósseis, permitindo um mapeamento genético do processo de disseminação das espécies hominídeas através da pré-história.

Nenhum desses fatos pode ser explicado fora do âmbito da biologia evolutiva.


"O Criacionismo é tão Ciência quanto o Evolucionismo,
O Evolucionismo é tão Religião quanto o Criacionismo."

É comum tal acusação por parte dos Criacionistas, justificando a idéia de que os motivos que levaram à implantação do paradigma evolutivo não foram científicos, mas políticos, ideológicos ou mesmo religiosos e anti-cristãos.

Ao mesmo tempo afirmam que o Criacionismo pode ser independente de religião, ocorrendo evidências na natureza para sustentá-lo.

Uma simples observação pode por essa acusação em xeque.

Por um lado, é notório que NÃO EXISTEM Criacionistas não Religiosos. Assim como não há um só caso de qualquer evidência da natureza que leve a um indício da Criação. Há apenas criacionistas que interpretam os dados da natureza de acordo com sua fé em seu livro sagrado.

Em contrapartida, se houvesse algum elemento não científico na evolução, onde estaria ele? Há evolucionistas de todas as designações religiosas, inclusive Cristãs Protestantes, assim como Ateus e Agnósticos. Bem como de qualquer orientação política e ideológica.

Mais uma vez, o Criacionistas são sempre Religiosos, em sua esmagadora maioria Cristãos Protestantes, de posicionamento político Direitista, em geral Extrema Direita e Conservadores.

O posicionamento Ideológico-Político e Religioso-Filosófico dos Criacionistas é claro, mas qual é afinal o posicionamento dos Evolucionistas?

É comum o pensamento paranóico, rígidamente comprometido com uma visão específica de mundo, querer ver demônios, bruxas, ETs, duendes e até esquerdistas onde eles não existam. Portanto os Criacionistas tendem a considerar os Evolucionistas como integrantes, conscientes ou não, de uma tendência ideológica secularista anti-bíblica.

"O Criacionismo deveria ser tão considerado quanto o Evolucionismo, e ensinado nas escolas."

O Evolucionismo é derivado de uma teoria científica consagrada e amplamente comprovada em diversos setores da biologia e antropologia. É um dos pilares de todas as conquistas científicas modernas nessas áreas. É Ciência! A mais pura e legítima ciência! E por isso é ensinado nas escolas.

O Criacionismo mal passa de uma Hipótese! Não possui elaboração suficiente sequer para ser submetido a um estudo sério e aprofundado e sendo assim, não há qualquer motivo para que ele seja equiparado em importância ao Evolucionismo.

Se o Criacionismo deve ser ensinado nas escolas, seria apenas nas matérias que estudem Religião ou Mitologia. Não existe até agora um corpo de teorias Criacionistas que mereça o título de científico.

Concordo que o Criacionismo mereça seu lugar na educação, mas ao lado de todas as outras propostas mitológicas de origem do mundo e da vida, num estudo amplo, comparado e livre de preconceitos que englobe boa parte de todas as religiões do mundo.

Concordo também que um diálogo com os argumentos criacionistas pode ser útil no ensino de evolucionismo, de modo a demonstrar que há o ponto de vista criacionista e de modo a responder seus questionamentos.

Mas no sistema educacional o ensino de Biologia deve se basear na produção científica, e pelo menos até agora: NÃO EXISTE CRIACIONISMO VERDADEIRAMENTE CIENTÍFICO!!!

Sobre esse tópico, eu não poderia dizer mais do que foi dito por um famoso autor cujas citações por vezes são até mesmo distorcidas e usadas pelos criacionistas.

---- "É apenas na escola que os jovens americanos em geral tem a probabilidade de ouvir uma explicação racional do ponto de vista evolucionário. Eles podem encontrar tal ponto de vista em livros, revistas, jornais ou mesmo, às vezes, na televisão. Mas a igreja e a família podem censurar facilmente o material impresso ou a televisão. Apenas a escola está além do seu controle.
---- (...) nas escolas também os estudantes não são solicitados a crer no que eles aprenderam sobre a evolução - apenas a repetir tudo nas provas. Se eles não o fizerem, sua punição não será nada mais do que a perda de uns poucos pontos em um teste ou dois.
---- Nas igrejas criacionistas, entretanto, exige-se que a congregação acredite. Jovens impressionáveis, advertidos de que irão para o inferno se ouvirem a doutrina evolucionária, não a ouvirão com tranqüilidade nem crerão no que ouvirem. Portanto, os criacionistas que controlam a igreja e a sociedade em que vivem e encaram a escola pública como o único lugar onde a evolução é mencionada mesmo que brevemente de maneira favorável, acham que não podem resistir nem a uma competição tão minúscula e assim exigem "tempo igual".
---- Você supõe que sua devoção à "justiça" é tal que eles dariam tempo igual à evolução em suas igrejas?"

Isaac Asimov, "The 'Threat' of Creationism," New York Times Magazine, 14 de junho de 1981; de Science and Creationism, Ashley Montagu, ed., New York: Oxford University Press, 1984,
TEXTO INTEGRAL

"O Evolucionismo se deve exclusivamente a Charles Darwin, sem o qual não teria existido."

Uma das mais básicas tolices no que se refere a produção de conhecimento científico. Propostas evolucionistas já estavam em pleno andamento antes de Darwin iniciar suas pesquisas. Mesmo que ele nunca tivesse existido, o naturalista Alfred Russel Wallace já estava elaborando uma teoria quase idêntica e em paralelo sem nunca ter conhecido Darwin, e mesmo sem ele, com toda certeza algum outro cientista teria desempenhado esse papel. O Evolucionismo não depende de Darwin, a Teoria da Evolução não é, como alguns criacionistas querem fazer crer, uma obra exclusiva e baseada apenas na autoridade de Charles Darwin.

Alguns chegam a alegar que ao final da vida Darwin teria se arrependido e admitido que tudo o que escrevera e propusera estava errado. Ainda que isso fosse verdade, não faria a menor diferença! Por acaso se Copérnico voltasse atrás no Heliocentrismo a Terra voltaria a ser o centro do Universo?

Não adianta "por a culpa" em Darwin. O evolucionismo biológico é o destino lógico de um processo de desenvolvimento científico e racional.

"Ser Criacionista é aceitar a palavra do Deus da Bíblia."

Embora seja geralmente o que acontece, essa não é necessariamente uma ligação inquebrantável. Se há tanta insistência em se construir um Criacionismo Científico por que necessariamente ele teria que ser compatível com a Bíblia?

Poderia-se dizer que todos os seres foram criados em suas versões definitivas por uma poderosa Inteligência Extraterrestre não necessariamente divina, o que alias é colocado por alguns Ufólogos.

Poderia buscar uma série de leis ocultas na natureza que viabilizassem um Criacionismo independente da ação de uma inteligência suprema, ainda mais uma pessoal.

Poderia até mesmo, por incrível que pareça, pensar num Criacionismo como obra do acaso! Numa ousada especulação similar a dos Atomistas da Grécia antiga.

Embora seja difícil separar Criacionismo de Religião, até acredito na possibilidade de se desenvolver uma corrente de pensamento séria e racional Criacionista. Mas DUVIDO que ela seja compatível com a Bíblia. O Criacionismo não é compatível nem mesmo consigo próprio, possuindo várias versões. Disparidade que jamais acontecerá no Evolucionismo científico.

A Origem das Espécies

A Origem das Espécies (em inglês: On the Origin of Species), do naturalista britânico Charles Darwin, é um dos livros mais importantes da história da ciência, apresentando a Teoria da Evolução, base de toda biologia moderna. O nome completo da primeira edição (1859) é On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or the Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life (Sobre a Origem das Espécies por Meio da Selecção Natural ou a Preservação de Raças Favorecidas na Luta pela Vida). Somente na sexta edição (1872), o título foi abreviado para The Origin of Species (A Origem das Espécies), como é popularmente conhecido.





Nesse livro, Darwin apresenta evidências abundantes da evolução das espécies, mostrando que a diversidade biológica é o resultado de um processo de descendência com modificação, onde os organismos vivos se adaptam gradualmente através da selecção natural e as espécies se ramificam sucessivamente a partir de formas ancestrais, como os galhos de uma grande árvore: a árvore da vida.

A primeira edição, publicada pela editora de John Murray em Londres no dia 24 de Novembro de 1859 com tiragem de 1.250 exemplares, esgotou-se no mesmo dia, criando uma controvérsia que ultrapassou o âmbito académico. Um exemplar da primeira edição atinge hoje mais de 50 mil dólares em leilão.

A proposta de Darwin, que as espécies se originam por processos inteiramente naturais, contradiz a crença religiosa na criação divina tal como é apresentada na Bíblia, no livro de Génesis. As discussões que o livro desencadeou se disseminaram rapidamente entre o público, criando o primeiro debate científico internacional da história.

Darwin começa falando da importância de sua viagem ao redor do mundo a bordo do navio HMS Beagle, principalmente suas observações sobre a distribuição das espécies na América do Sul e as relações geoléogicas dos habitantes atuais e passados desse continente. Darwin também menciona a importante contribuição de Alfred Russel Wallace, co-descobridor do mecanismo da seleção natural, e a apresentação conjunta desse mecanismo na Sociedade Lineana de Londres por Charles Lyell e Joseph D. Hooker em 1858. Darwin critica o livro Vestiges of the Natural History of Creation, um best-seller publicado anonimamente em 1844, que falava da transformação das espécies, mas que não apresentava uma explicação para tais mudanças. Darwin ressalta que A Origem das Espécies é somente um resumo de suas idéias.

"Não tenho dúvidas de que a visão que a maioria dos naturalistas possui, e que eu previamente também tinha, de que cada espécie foi criada independentemente, é errônea. Estou totalmente convencido de que as espécies não são imutáveis; mas que aquelas que pertencem ao que chamamos do mesmo gênero são descendentes diretas de alguma outra espécie, geralmente extinta, da mesma forma que as variedades reconhecidas de qualquer espécie são descendentes daquela espécie. Além disso, estou convencido que a Seleção Natural é o meio principal, mas não exclusivo, de modificação."


"Poucos naturalistas dotados de flexibilidade intelectual, e que há tempos tenham começado a duvidar da imutabilidade das espécies, podem ser influenciados por este livro. No entanto, minha confiança está voltada para o futuro, para os jovens naturalistas em formação, que serão capazes de enxergar com imparcialidade ambos os lados da questão. Quem acreditar que as espécies são mutáveis prestará um bom serviço à ciência, exprimindo de forma consciente sua convicção, pois somente assim se poderá desembaraçar a questão de todos os preconceitos que a cercam."

No último capítulo de seu livro Darwin faz uma recapitulação às objeções e circunstâncias favoráveis à teoria da Seleção Natural.
Charles Darwin aos 51 anos, na época da publicação da primeira edição de A Origem das Espécies

Como principal objeção Darwin aponta a dificuldade em explicar como órgãos e instintos complexos poderiam ter sido produzidos pelo processo de seleção natural. Em resposta, ele sugere que essa dificuldade pode ser superada se se assumir que todos os órgãos e instintos são passíveis de modificações e há uma luta pela sobrevivência onde o vencedor preserva as melhores modificações. Apesar de admitir que seria difícil prever quais foram as gradações que ocorreram durante o processo de modelagem de uma característica, o estado de perfeição poderia ser alcançado por meio de várias gradações intermediárias, desde que cada uma delas seja útil e melhor que a precedente. A teoria de descendência com modificação prevê que todos os indivíduos de uma espécie, espécies de um mesmo gênero e também grupos menos restritos devem ter um antepassado comum, e isso implica que indivíduos mais próximos geograficamente devam ser mais aparentados que aqueles situados em locais distantes. Porém, isso não explica espécies que apresentam ampla distribuição geográfica ou uma distribuição disjunta ao longo do globo terrestre. Para esses caso, Darwin sugere que eventos de migração, extinção de intermediários e mudanças climáticas durante os períodos glaciais possam ter moldado essas distribuições aparentemente em desacordo com sua teoria. Outra forte objeção à teoria da seleção natural seria a falta no registro fóssil das formas intermediárias que Darwin sugere terem existido. Ele porém argumenta que o registro fóssil é imperfeito e que o processo de fossilização requer condições muito específicas e até improváveis, sendo que muitos organismos, devido a sua estrutura corporal, jamais poderiam ser fossilizados.

Durante o processo de seleção artificial, o homem atua selecionando as variabilidades que mais lhe interessa, porém a ação do homem nada tem a ver com a produção dessa variabilidade. Segundo Darwin, as leis que regem a variabilidade são ligadas à correlação de crescimento, ao uso e desuso e à ação direta das condições físicas, e essa variação pode ser transmitida hereditariamente. Darwin traça aqui um paralelo entre seleção natural e artificial, sugerindo que na seleção natural quem seleciona é a natureza e não o homem. Há uma luta pela sobrevivência uma vez que nascem mais indivíduos do que o ambiente é capaz de suportar; sendo assim, a natureza seleciona os mais aptos (com as melhores variações). Darwin ainda cita a disputa entre machos pela posse de fêmeas e chama esse processo de seleção sexual, estabelecendo assim que a seleção natural é a luta pela sobrevivência e a seleção sexual a luta pelo acasalamento. Em ambos os casos, apenas aquele indivíduo que possuir a variação mais vantajosa vencerá a luta.
Fronstispício da 1a edição em inglês do livro A Origem das Espécies de Charles Darwin (1859)

Em defesa a teoria da Seleção Natural, Darwin se dedica a explicar por que espécies não podem ser atos independentes de criação. Primeiro ele aponta que se as espécies fossem independentes não deveria haver dificuldade para se definir o limite entre uma e outra, nem tampouco deveria haver tantas formas intermediárias entre elas. Ele também cita que o axioma Natura non facit saltum (a Natureza não dá saltos) não deveria ser uma lei natural se as espécies fossem criações independentes. Além disso ficaria difícil explicar a razão da criação de planos biológicos imperfeitos, como por exemplo o caso de aves que não voam, ou a abelha que morre ao utilizar seu ferrão. O fato de duas áreas distantes apresentarem as mesmas condições de vida e habitantes completamente diferentes seria facilmente explicado pela teoria de modificação com descendência, mas não pela criação independente. A presença de morcegos e ausência de outros mamíferos em ilhas oceânicas distantes do continente e a homologia entre os ossos da mão do homem, asas do morcego e barbatanas de baleias são outros exemplos que não poderiam ser explicados pela teoria da criação independente.

Darwin acreditava que duas razões principais levavam muitos naquela época a crer que as espécies eram imutáveis. A primeira era a crença que a idade de criação da Terra fosse muito menor do que realmente é, não havendo assim tempo geológico suficiente para que todas as mudanças ocorressem de forma lenta e gradual, sendo acumuladas até gerar os organismos como são hoje. A segunda razão era a crença que o registro fóssil estava completo e que apenas aqueles organismos encontrados foram os que já existiram e se extinguiram, sem fornecer assim uma evidência dos intermediários entre as espécies.

Darwin deixa a idéia de que a teoria de descendência com modificação pode abranger membros da mesma classe e mesmo reino, e ainda sugere a possibilidade de que todos os seres vivos tenham se originado a partir de uma só forma principal.

Darwin sugere como a aceitação da Teoria da Seleção Natural pode vir a influenciar os estudos de História Natural. Ele prevê que não haverá uma definição satisfatória e unânime do conceito de espécie e que nossas classificações se transformarão cada vez mais em genealogias onde serão mapeados os caracteres herdados. Juntando informações mais precisas de geologia, Darwin diz que seremos capazes de recriar rotas migratórias seguidas pelos habitantes do mundo. Poderemos ainda utilizar a soma das modificações nos fósseis encontrados em formações geológicas consecutivas como medida relativa do tempo decorrido entre essas formações. Darwin ainda prevê que a seleção natural pode influenciar estudos de psicologia e auxiliar no entendimento da origem do homem e de sua história.

Por fim, Darwin aponta que Hereditariedade, Variabilidade, Multiplicação dos Indivíduos, Luta pela Existência, Seleção Natural, Divergência dos Caracteres e Extinção das Formas Menos Aptas são as principais leis responsáveis por moldar as formas que conhecemos hoje no mundo.


Segue conteúdo mais aprofundado sobre a Origem das Espécies, inclusive o próprio livro.


A Origem das Espécies - Charles Darwin
O Livro

Documentário no Youtube:

Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Parte 6

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Quem escreveu a Bíblia?

A história de Deus foi escrita pelos homens. Mas quem é o autor do livro mais influente de todos os tempos? As respostas são surpreendentes - e vão mudar sua maneira de ver as Escrituras

Em algum lugar do Oriente Médio, por volta do século 10 a.C., uma pessoa decidiu escrever um livro. Pegou uma pena, nanquim e folhas de papiro (uma planta importada do Egito) e começou a contar uma história mágica, diferente de tudo o que já havia sido escrito. Era tão forte, mas tão forte, que virou uma obsessão. Durante os 1 000 anos seguintes, outras pessoas continuariam reescrevendo, rasurando e compilando aquele texto, que viria a se tornar o maior best seller de todos os tempos: a Bíblia. Ela apresentou uma teoria para o surgimento do homem, trouxe os fundamentos do judaísmo e do cristianismo, influenciou o surgimento do islã, mudou a história da arte – sem a Bíblia, não existiriam os afrescos de Michelangelo nem os quadros de Leonardo da Vinci – e nos legou noções básicas da vida moderna, como os direitos humanos e o livre-arbítrio. Mas quem escreveu, afinal, o livro mais importante que a humanidade já viu? Quem eram e o que pensavam essas pessoas? Como criaram o enredo, e quem ditou a voz e o estilo de Deus? O que está na Bíblia deve ser levado ao pé da letra, o que até hoje provoca conflitos armados? A resposta tradicional você já conhece: segundo a tradição judaico-cristã, o autor da Bíblia é o próprio Todo-Poderoso. E ponto final. Mas a verdade é um pouco mais complexa que isso.

A própria Igreja admite que a revelação divina só veio até nós por meio de mãos humanas. A palavra do Senhor é sagrada, mas foi escrita por reles mortais. Como não sobraram vestígios nem evidências concretas da maioria deles, a chave para encontrá-los está na própria Bíblia. Mas ela não é um simples livro: imagine as Escrituras como uma biblioteca inteira, que guarda textos montados pelo tempo, pela história e pela fé. Aliás, o termo “Bíblia”, que usamos no singular, vem do plural grego ta biblia ta hagia – “os livros sagrados”. A tradição religiosa sempre sustentou que cada livro bíblico foi escrito por um autor claramente identificável. Os 5 primeiros livros do Antigo Testamento (que no judaísmo se chamam Torá e no catolicismo Pentateuco) teriam sido escritos pelo profeta Moisés por volta de 1200 a.C. Os Salmos seriam obra do rei Davi, o autor de Juízes seria o profeta Samuel, e assim por diante. Hoje, a maioria dos estudiosos acredita que os livros sagrados foram um trabalho coletivo. E há uma boa explicação para isso.

As histórias da Bíblia derivam de lendas surgidas na chamada Terra de Canaã, que hoje corresponde a Líbano, Palestina, Israel e pedaços da Jordânia, do Egito e da Síria. Durante séculos acreditou-se que Canaã fora dominada pelos hebreus. Mas descobertas recentes da arqueologia revelam que, na maior parte do tempo, Canaã não foi um Estado, mas uma terra sem fronteiras habitada por diversos povos – os hebreus eram apenas uma entre muitas tribos que andavam por ali. Por isso, sua cultura e seus escritos foram fortemente influenciadas por vizinhos como os cananeus, que viviam ali desde o ano 5000 a.C. E eles não foram os únicos a influenciar as histórias do livro sagrado.

As raízes da árvore bíblica também remontam aos sumérios, antigos habitantes do atual Iraque, que no 3o milênio a.C. escreveram a Epopéia de Gilgamesh. Essa história, protagonizada pelo semideus Gilgamesh, menciona uma enchente que devasta o mundo (e da qual algumas pessoas se salvam construindo um barco). Notou semelhanças com a Bíblia e seus textos sobre o dilúvio, a arca de Noé, o fato de Cristo ser humano e divino ao mesmo tempo? Não é mera coincidência. “A Bíblia era uma obra aberta, com influências de muitas culturas”, afirma o especialista em história antiga Anderson Zalewsky Vargas, da UFRGS.

Foi entre os séculos 10 e 9 a.C. que os escritores hebreus começaram a colocar essa sopa multicultural no papel. Isso aconteceu após o reinado de Davi, que teria unificado as tribos hebraicas num pequeno e frágil reino por volta do ano 1000 a.C. A primeira versão das Escrituras foi redigida nessa época e corresponde à maior parte do que hoje são o Gênesis e o Êxodo. Nesses livros, o tema principal é a relação passional (e às vezes conflituosa) entre Deus e os homens. Só que, logo no começo da Beeblia, já existiu uma divergência sobre o papel do homem e do Senhor na história toda. Isso porque o personagem principal, Deus, é tratado por dois nomes diferentes.

Em alguns trechos ele é chamado pelo nome próprio, Yahweh – traduzido em português como Javé ou Jeová. É um tratamento informal, como se o autor fosse íntimo de Deus. Em outros pontos, o Todo-Poderoso é chamado de Elohim, um título respeitoso e distante (que pode ser traduzido simplesmente como “Deus”). Como se explica isso? Para os fundamentalistas, não tem conversa: Moisés escreveu tudo sozinho e usou os dois nomes simplesmente porque quis. Só que um trecho desse texto narra a morte do próprio Moisés. Isso indica que ele não é o único autor. Os historiadores e a maioria dos religiosos aceitam outra teoria: esses textos tiveram pelo menos outros dois editores.

Acredita-se que os trechos que falam de Javé sejam os mais antigos, escritos numa época em que a religiosidade era menos formal. Eles contêm uma passagem reveladora: antes da criação do mundo, “Yahweh não derramara chuva sobre a terra, e nem havia homem para lavrar o solo”. Essa frase, “não havia homem para lavrar o solo”, indica que, na primeira versão da Bíblia, o homem não era apenas mais uma criação de Deus – ele desempenha um papel ativo e fundamental na história toda. “Nesse relato, o homem é co-criador do mundo”, diz o teólogo Humberto Gonçalves, do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos, no Rio Grande do Sul.

Pelo nome que usa para se referir a Deus (Javé), o autor desses trechos foi apelidado de Javista. Já o outro autor, que teria vivido por volta de 850 a.C., é apelidado de Eloísta. Mais sisudo e religioso, ele compôs uma narrativa bastante diferente. Ao contrário do Deus-Javé, que fez o mundo num único dia, o Deus-Elohim levou 6 (e descansou no 7o). Nessa história, a criação é um ato exclusivo de Deus, e o homem surge apenas no 6o dia, junto aos animais.

Tempos mais tarde, os dois relatos foram misturados por editores anônimos – e a narrativa do Eloísta, mais comportada, foi parar no início das Escrituras. Começando por aquela frase incrivelmente simples e poderosa, notória até entre quem nunca leu a Bíblia: “E, no início, Deus criou o céu e a terra...”

Em 589 a.C., Jerusalém foi arrasada pelos babilônios, e grande parte da população foi aprisionada e levada para o atual Iraque. Décadas depois, os hebreus foram libertados por Ciro, senhor do Império Persa – um conquistador “esclarecido”, que tinha tolerância religiosa. Aos poucos, os hebreus retornaram a Canaã – mas com sua fé transformada. Agora os sacerdotes judaicos rejeitavam o politeísmo e diziam que Javé era o único e absoluto deus do Universo. “O monoteísmo pode ter surgido pelo contato com os persas – a religião deles, o masdeísmo, pregava a existência de um deus bondoso, Ahura Mazda, em constante combate contra um deus maligno, Arimã. Essa noção se reflete até na idéia cristã de um combate entre Deus e o Diabo”, afirma Zalewsky, da UFRGS.

A versão final do Pentateuco surgiu por volta de 389 a.C. Nessa época, um religioso chamado Esdras liderou um grupo de sacerdotes que mudaram radicalmente o judaísmo – a começar por suas escrituras. Eles editaram os livros anteriores e escreveram a maior parte dos livros Deuteronômio, Números, Levítico e também um dos pontos altos da Bíblia: os 10 Mandamentos. Além de afirmar o monoteísmo sem sombra de dúvidas (“amarás a Deus acima de todas as coisas” é o primeiro mandamento), a reforma conduzida por Esdras impunha leis religiosas bem rígidas, como a proibição do casamento entre hebreus e não-hebreus. Algumas das leis encontradas no Levítico se assemelham à ética moderna dos direitos humanos: “Se um estrangeiro vier morar convosco, não o maltrates. Ama-o como se fosse um de vós”.

Outras passagens, no entanto, descrevem um Senhor belicoso, vingativo e sanguinário, que ordena o extermínio de cidades inteiras – mulheres e crianças incluídas. “Se a religião prega a compaixão, por que os textos sagrados têm tanto ódio?”, pergunta a historiadora americana Karen Armstrong, autora de um novo e provocativo estudo sobre a Bíblia. Para os especialistas, a violência do Antigo Testamento é fruto dos séculos de guerras com os assírios e os babilônios. Os autores do livro sagrado foram influenciados por essa atmosfera de ódio, e daí surgiram as histórias em que Deus se mostra bastante violento e até cruel. Os redatores da Bíblia estavam extravasando sua angústia.

Por volta do ano 200 a.C., o cânone (conjunto de livros sagrados) hebraico já estava finalizado e começou a se alastrar pelo Oriente Médio. A primeira tradução completa do Antigo Testamento é dessa época. Ela foi feita a mando do rei Ptolomeu 2o em Alexandria, no Egito, grande centro cultural da época. Segundo uma lenda, essa tradução (de hebraico para grego) foi realizada por 72 sábios judeus. Por isso, o texto é conhecido como Septuaginta. Além da tradução grega, também surgiram versões do Antigo Testamento no idioma aramaico – que era uma espécie de língua franca do Oriente Médio naquela época.

Dois séculos mais tarde, a Bíblia em aramaico estava bombando: ela era a mais lida na Judéia, na Samária e na Galiléia (províncias que formam os atuais territórios de Israel e da Palestina). Foi aí que um jovem judeu, grande personagem desta história, começou a se destacar. Como Sócrates, Buda e outros pensadores que mudaram o mundo, Jesus de Nazaré nada deixou por escrito – os primeiros textos sobre ele foram produzidos décadas após sua morte.

E o cristianismo já nasceu perseguido: por se recusarem a cultuar os deuses oficiais, os cristãos eram considerados subversivos pelo Império Romano, que dominava boa parte do Oriente Médio desde o século 1 a.C. Foi nesse clima de medo que os cristãos passaram a colocar no papel as histórias de Jesus, que circulavam em aramaico e também em coiné – um dialeto grego falado pelos mais pobres. “Os cristãos queriam compreender suas origens e debater seus problemas de identidade”, diz o teólogo Paulo Nogueira, da Universidade Metodista de São Paulo. Para fazer isso, criaram um novo gênero literário: o evangelho. Esse termo, que vem do grego evangélion (“boa-nova”), é um tipo de narrativa religiosa contando os milagres, os ensinamentos e a vida do Messias.

A maioria dos evangelhos escritos nos séculos 1 e 2 desapareceu. Naquela época, um “livro” era um amontoado de papiros avulsos, enrolados em forma de pergaminho, podendo ser facilmente extraviados e perdidos. Mas alguns evangelhos foram copiados e recopiados à mão, por membros da Igreja. Até que, por volta do século 4, tomaram o formato de códice – um conjunto de folhas de couro encadernadas, ancestral do livro moderno. O problema é que, a essa altura do campeonato, gerações e gerações de copiadores já haviam introduzido alterações nos textos originais – seja por descuido, seja de propósito. “Muitos erros foram feitos nas cópias, erros que às vezes mudaram o sentido dos textos. Em certos casos, tais erros foram também propositais, de acordo com a teologia do escrivão”, afirma o padre e teólogo Luigi Schiavo, da Universidade Católica de Goiás. Quer ver um exemplo?

Sabe aquela famosa cena em que Jesus salva uma adúltera prestes a ser apedrejada? De acordo com especialistas, esse trecho foi inserido no Evangelho de João por algum escriba, por volta do século 3. Isso porque, na época, o cristianismo estava cortando seu cordão umbilical com o judaísmo. E apedrejar adúlteras é uma das leis que os sacerdotes-escritores judeus haviam colocado no Pentateuco. A introdução da cena em que Jesus salva a adúltera passa a idéia de que os ensinamentos de Cristo haviam superado a Torá – e, portanto, os cristãos já não precisavam respeitar ao pé da letra todos os ensinamentos judeus.

A julgar pelo último livro da Bíblia cristã, o Apocalipse (que descreve o fim do mundo), o receio de ter suas narrativas “editadas” era comum entre os autores do Novo Testamento. No versículo 18, lê-se uma terrível ameaça: “Se alguém fizer acréscimos às páginas deste livro, Deus o castigará com as pragas descritas aqui”. Essa ameaça reflete bem o clima dos primeiros séculos do cristianismo: uma verdadeira baderna teológica, com montes de seitas defendendo idéias diferentes sobre Deus e o Messias. A seita dos docetas, por exemplo, acreditava que Jesus não teve um corpo físico. Ele seria um espírito, e sua crucificação e morte não passariam – literalmente – de ilusão de ótica. Já os ebionistas acreditavam que Jesus não nascera Filho de Deus, mas fora adotado, já adulto, pelo Senhor. A primeira tentativa de organizar esse caos das Escrituras ocorreu por volta de 142 – e o responsável não foi um clérigo, mas um rico comerciante de navios chamado Marcião.

A Bíblia segundo Marcião

Ele nasceu na atual Turquia, foi para Roma, converteu-se ao cristianismo, virou um teólogo influente e resolveu montar sua própria seleção de textos sagrados. A Bíblia de Marcião era bem diferente da que conhecemos hoje. Isso porque ele simpatizava com uma seita cristã hoje desaparecida, o gnosticismo. Para os gnósticos, o Deus do Velho Testamento não era o mesmo que enviara Jesus – na verdade, as duas divindades seriam inimigas mortais. O Deus hebraico era monstruoso e sanguinário, e controlava apenas o mundo material. Já o universo espiritual seria dominado por um Deus bondoso, o pai de Jesus. A Bíblia editada por Marcião continha apenas o Evangelho de João, 11 cartas de Paulo e nenhuma página do Velho Testamento. Se as idéias de Marcião tivessem triunfado, hoje as histórias de Adão e Eva no paraíso, a arca de Noé e a travessia do mar Vermelho não fariam parte da cultura ocidental. Mas, por volta de 170, o gnosticismo foi declarado proibido pelas autoridades eclesiásticas, e o primeiro editor da Bíblia cristã acabou excomungado.

Roma, até então pior inimiga dos cristãos, ia se rendendo à nova fé. Em 313, o imperador romano Constantino se aliou à Igreja. Ele pretendia usar a força crescente da nova religião para fortalecer seu império. Para isso, no entanto, precisava de uma fé una e sólida. A pressão de Constantino levou os mais influentes bispos cristãos a se reunirem no Concílio de Nicéia, em 325, para colocar ordem na casa de Deus. Ali, surgiu o cânone do cristianismo – a lista oficial de livros que, segundo a Igreja, realmente haviam sido inspirados por Deus.

“A escolha também era política. Um grupo afirmou seu poder e autoridade sobre os outros”, diz o padre Luigi. Esse grupo era o dos cristãos apostólicos, que ganharam poder ao se aliar com o Império Romano. Os apostólicos eram, por assim dizer, o “partido do governo”. E por isso definiram o que iria entrar, ou ser eliminado, das Escrituras.

Eles escolheram os evangelhos de Marcos, Mateus, Lucas e João para representar a biografia oficial de Cristo, enquanto as invenções dos docetas, dos ebionistas e de outras seitas foram excluídas, e seus autores declarados hereges. Os textos excluídos do cânone ganharam o nome de “apócrifos” – palavra que vem do grego apocrypha, “o que foi ocultado”. A maioria dos apócrifos se perdeu – afinal de contas, os escribas da Igreja não estavam interessados em recopiá-los para a posteridade. Mas, com o surgimento da arqueologia, no século 19, pedaços desses textos foram encontrados nas areias do Oriente Médio. É o caso de um polêmico texto encontrado em 1886 no Egito. Ele é assinado por uma certa “Maria” que muitos acreditam ser a Madalena, discípula de Jesus, presente em vários trechos do Novo Testamento. O evangelho atribuído a ela é bem feminista: Madalena é descrita como uma figura tão importante quanto Pedro e os outros apóstolos. Nos primórdios do cristianismo, as mulheres eram aceitas no clero – e eram, inclusive, consideradas capazes de fazer profecias. Foi só no século 3 que o sacerdócio virou monopólio masculino, o que explicaria a censura da apóstola e seu testemunho. Aliás, tudo indica que Madalena não foi prostituta – idéia que teria surgido por um erro na interpretação do livro sagrado. No ano 591, o papa Gregório fez um sermão dizendo que Madalena e outra mulher, também citada nas Escrituras e essa sim ex-pecadora, na verdade seriam a mesma pessoa (em 1967, o Vaticano desfez o equívoco, limpando a reputação de Maria).

Na evolução da Bíblia, foram aparecendo vários trechos machistas – e suspeitos. É o caso de uma passagem atribuída ao apóstolo Paulo: “A mulher aprenda (...) com toda a sujeição. Não permito à mulher que ensine, nem que tenha domínio sobre o homem (...) porque Adão foi formado primeiro, e depois Eva”. É provável que Paulo jamais tenha escrito essas palavras – porque, na época em que ele viveu, o cristianismo não pregava a submissão da mulher. Acredita-se que essa parte tenha sido adicionada por algum escriba por volta do século 2.

Após a conversão do imperador Constantino, o eixo do cristianismo se deslocou do Oriente Médio para Roma. Só que, para completar a romanização da fé, faltava um passo: traduzir a palavra de Deus para o latim. A missão coube ao teólogo Eusebius Hyeronimus, que mais tarde viria a ser canonizado com o nome de são Jerônimo. Sob ordens do papa Damaso, ele viajou a Jerusalém em 406 para aprender hebraico e traduzir o Antigo e o Novo Testamento. Não foi nada fácil: o trabalho durou 17 anos.

Daí saiu a Vulgata, a Bíblia latina, que até hoje é o texto oficial da Igreja Católica. Essa é a Bíblia que todo mundo conhece. “A Vulgata foi o alicerce da Igreja no Ocidente”, explica o padre Luigi. Ela é tão influente, mas tão influente, que até seus erros de tradução se tornaram clássicos. Ao traduzir uma passagem do Êxodo que descreve o semblante do profeta Moisés, são Jerônimo escreveu em latim: cornuta esse facies sua, ou seja, “sua face tinha chifres”. Esse detalhe esquisito foi levado a sério por artistas como Michelangelo – sua famosa escultura representando Moisés, hoje exposta no Vaticano, está ornada com dois belos corninhos. Tudo porque Jerônimo tropeçou na palavra hebraica karan, que pode significar tanto “chifre” quanto “raio de luz”. A tradução correta está na Septuaginta: o profeta tinha o rosto iluminado, e não chifrudo. Apesar de erros como esse, a Vulgata reinou absoluta ao longo da Idade Média – durante séculos, não houve outras traduções.

michelangelo - imagem de moisés (vaticano)

O único jeito de disseminar o livro sagrado era copiá-lo à mão, tarefa realizada pelos monges copistas. Eles raramente saíam dos mosteiros e passavam a vida copiando e catalogando manuscritos antigos. Só que, às vezes, também se metiam a fazer o papel de autores.

monge copista

Após a queda do Império Romano, grande parte da literatura da Antiguidade grega e romana se perdeu – foi graças ao trabalho dos monges copistas que livros como a Ilíada e a Odisséia chegaram até nós. Mas alguns deles eram meio malandros: costumavam interpolar textos nas Escrituras Sagradas para agradar a reis e imperadores. No século 15, por exemplo, monges espanhóis trocaram o termo “babilônios” por “infiéis” no texto do Antigo Testamento – um truque para atacar os muçulmanos, que disputavam com os espanhóis a posse da península Ibérica.

Escrituras em série


Tudo isso mudou após a invenção da imprensa, em 1455. Agora ninguém mais dependia dos copistas para multiplicar os exemplares da Bíblia. Por isso, o grande foco de mudanças no texto sagrado passou a ser outro: as traduções.Em 1522, o pastor Martinho Lutero usou a imprensa para divulgar em massa sua tradução da Bíblia, que tinha feito direto do hebraico e do grego para o alemão. Era a primeira vez que o texto sagrado era vertido numa língua moderna – e a nova versão trouxe várias mudanças, que provocavam a Igreja.

Logo depois um britânico, William Tyndale, ousou traduzir a Bíblia para o inglês. No Novo Testamento, ele traduziu a palavra ecclesia por “congregação”, em vez de “igreja”, o termo preferido pelas traduções católicas. A mudança nessa palavrinha era um desafio ao poder dos papas: como era protestante, Tyndale tinha suas diferenças com a Igreja. Resultado? Ele foi queimado como herege em 1536. Mas até hoje seu trabalho é referência para as versões inglesas do livro sagrado.

A Bíblia chegou ao nosso idioma em 1753 – quando foi publicada sua primeira tradução completa para o português, feita pelo protestante João Ferreira de Almeida. Hoje, a tradução considerada oficial é a feita pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e lançada em 2001. Ela é considerada mais simples e coloquial que as traduções anteriores. De lá para cá, a Bíblia ganhou o mundo e as línguas. Já foi vertida para mais de 300 idiomas e continua um dos livros mais influentes do mundo: todos os anos, são publicadas 11 milhões de cópias do texto integral, e 14 milhões só do Novo Testamento.

Depois de tantos séculos de versões e contra-versões, ainda não há consenso sobre a forma certa de traduzi-la. Alguns buscam traduções mais próximas do sentido e da época original – como as passagens traduzidas do hebraico pelo lingüista David Rosenberg na obra O Livro de J, de 1990. Outros acham que a Bíblia deve ser modernizada para atrair leitores. O lingüista Eugene Nida, que verteu a Bíblia na década de 1960, chegou ao extremo de traduzir a palavra “sestércios”, a antiga moeda romana, por “dólares”. Em 2008, duas versões igualmente ousadas estão agitando as Escrituras: a Green Bible (“Bíblia Verde”, ainda sem versão em português), que destaca 1 000 passagens relacionadas à ecologia – como o momento em que Jó fala sobre os animais –, e a Bible Illuminated (‘Bíblia Iluminada”, em inglês), com design ultramoderno e fotos de celebridades como Nelson Mandela e Angelina Jolie.

A Bíblia se transforma, mas uma coisa não muda: cada pessoa, ou grupo de pessoas, a interpreta de uma maneira diferente – às vezes, com propósitos equivocados. Em pleno século 21, pastores fundamentalistas tentam proibir o ensino da Teoria da Evolução nas escolas dos EUA, sendo que a própria Igreja aceita as teorias de Darwin desde a década de 1950. Líderes como o pastor Jerry Falwell defendem o retorno da escravidão e o apedrejamento de adúlteros, e no Oriente Médio rabinos extremistas usam trechos da Torá para justificar a ocupação de terras árabes. Por quê? Porque está na Bíblia, dizem os radicais. Não é nada disso. Hoje, os principais estudiosos afirmam que a Bíblia não deve ser lida como um manual de regras literais – e sim como o relato da jornada, tortuosa e cheia de percalços, do ser humano em busca de Deus. Porque esse é, afinal, o verdadeiro sentido dessa árvore de histórias regada há 3 mil anos por centenas de mãos, cabeças e corações humanos: a crença num sentido transcendente da existência.

Top 5 pragas

I. Quando os hebreus eram escravos no Egito, o Senhor enviou 10 pragas contra os opressores do povo escolhido. A primeira delas foi transformar toda a água do país em sangue (Êxodo 7:21).

II. Como o faraó não libertava os hebreus, o Senhor radicalizou: matou, numa só noite, todos os primogênitos do Egito. “E houve grande clamor no país, pois não havia casa onde não houvesse um morto” (Êxodo 12:30).

III. Desgostoso com os pecados de Sodoma e Gomorra, Deus destruiu as duas cidades com uma chuvarada de fogo e enxofre (Gênesis 19:24).

IV. Para punir as deso­bediências do rei Davi, o Senhor enviou uma doença não identificada, que matou 70 mil homens e 200 mil mulheres e crianças (2 Samuel, 24: 1-13).

V. Quando a nação dos filisteus roubou a arca da Aliança, onde estavam guardados os 10 Mandamentos, o Senhor os castigou com um surto de hemorróidas letais. “Os intestinos lhes saíam para fora e apodreciam” (1 Samuel 5:9) .

Os possíveis autores

1200 a.C. - Moisés

Segundo uma lenda judaica, a Torá (obra precursora da Bíblia) teria sido escrita por ele. Mas há controvérsias, pois existe um trecho da Torá que diz: “Moisés morreu e foi sepultado pelo Senhor próximo a Fegor”. Ora, se Moisés é o autor do texto, como ele poderia ter relatado a própria morte?

1000 a.C. - Javista

Viveu na corte do rei Davi, no antigo reino de Israel, e era um aristocrata. Ou, quem sabe, uma aristocrata: para o crítico Harold Bloom, Javista era mulher. Isso porque os personagens femininos da Bíblia (Eva e Sara, por exemplo) são muito mais elaborados que os masculinos.

Século 4 a.C. - Esdras

Líder religioso que reformou o judaísmo e possível editor do Pentateuco (5 primeiros livros da Bíblia). Vários trechos bíblicos editados por ele pregam a violência: “Derrubareis todos os altares dos povos que ides expropriar, queimareis as casas, e mudareis os nomes desses lugares”.

Século 1 - Paulo

Nunca viu Cristo pessoalmente, mas foi o primeiro a escrever sobre ele. Nascido na Turquia, Paulo viajou e fundou igrejas pelo Oriente Médio. Ele escrevia cartas para essas igrejas, contando a incrível aventura de um tal Jesus – que foi crucificado e ressuscitou.

Século 1 - Maria Madalena

Estava entre os discípulos favoritos de Jesus – e, diferentemente do que o Vaticano sustentou durante séculos, nunca foi prostituta. Pelo contrário: tinha influência no cristianismo e é a suposta autora do Apócrifo de Maria, um livro em que fala sobre sua relação pessoal com Jesus e divulga os ensinamentos dele.

Século 1 - João

Escreveu o 4o evangelho do Novo Testamento (João) e o Livro do Apocalipse, o último da Bíblia. Para ele, Jesus não é apenas um messias – é um ser sobrenatural, a própria encarnação de Deus. Essa interpretação mística marca a ruptura definitiva entre judaísmo e fé cristã.

Século 5 - Jerônimo

Nascido no território da atual Hungria, este padre foi enviado a Jerusalém com uma missão importantíssima: traduzir a Bíblia do grego para o latim. Cometeu alguns erros, como dizer que o profeta Moisés tinha chifres (uma confusão com a palavra hebraica karan, que na verdade significa “raio de luz”).

Século 16 - William Tyndale

Possuir trechos da Bíblia em qualquer idioma que não fosse o latim era crime. O professor Tyndale não quis nem saber, traduziu tudo para o inglês, e acabou na fogueira. Mas seu trabalho foi incrivelmente influente: é a base da chamada “Bíblia do Rei James”, até hoje a tradução mais lida nos países de língua inglesa.

Top 5 matanças

I. Um grupo de meninos malcriados zombou da calvície do profeta Eliseu. Pra quê! Na hora, dois ursos famintos saíram de um bosque e comeram as crianças (2 Reis 2:24).

II. Cercado por um exército de filisteus, o herói Sansão apanhou a mandíbula de um jumento morto. Usando o osso como arma, ele massacrou mil inimigos (Juízes, 15:16).

III. O profeta Elias convidou os sacerdotes do deus Baal para uma competição de orações. Era uma armadilha: Elias incitou o povo, que linchou os pagãos (1 Reis 18:40).

VI. Os judeus haviam perdido a fé e começaram a adorar um bezerro de ouro. Moisés ficou furioso e mandou sacerdotes levitas matar 3 mil infiéis (Êxodo 32:19).

V. A nação dos amalequitas disputava o território de Canaã com os judeus. O Senhor ordena que todos os amalequitas sejam chacinados (1 Samuel 15:18).

Top 5 satanagens

I. Após a destruição de Sodoma, os únicos sobreviventes eram Ló e suas duas filhas. As filhas de Ló embebedaram o pai e tiveram com ele a noite mais incestuosa da Bíblia (Gênesis 19:31).

II. O Cântico dos Cânticos, atribuído ao rei Salomão, é altamente erótico. Um dos trechos: “Teu corpo é como a palmeira, e teus seios, como cachos de uvas” (Cânticos 7:7).

III. Os anjos do Senhor tiveram chamegos ilícitos com mulheres mortais. “Vendo os Filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, tomaram-nas como mulheres, tantas quanto desejaram” (Gênesis 6:2).

IV. A Bíblia diz que os antigos egípcios eram muito bem-dotados. Após a fuga para Canaã, a judia Ooliba tem saudades dos tempos em que se prostituía no Egito. Tudo porque “seus amantes (...) ejaculavam como cavalos” (Ezequiel 23:20).

V. O hebreu Onã casou com a viúva de seu irmão, mas não conseguia fazer sexo com ela – preferia o prazer solitário. Do nome dele vem o termo “onanismo”, que significa masturbação (Gênesis 38:9).

As história da história

Como o livro sagrado evoluiu ao longo dos tempos

Tanach - Século 5 a.C.

É a Bíblia judaica, e tem 3 livros: Torá (palavra hebraica que significa “lei”), Nebiim (“profetas”) e Ketuvim (“escritos”). É parecida com a Bíblia atual, pois os católicos copiaram seus escritos. Contém as sementes do monoteísmo e da ética religiosa, mas também pregações de violência. A primeira das bíblias tem trechos ambíguos e misteriosos – algumas passagens dão a entender que Javé não é o único deus do Universo.

Septuaginta - Século 3 a.C.

O Oriente Médio era dominado pelos gregos e pelos macedônios. Muitos judeus viviam em cidades de cultura grega, como Alexandria, e desejavam adaptar sua religião aos novos tempos. Diz a lenda que Ptolomeu, rei do Egito, reuniu um grupo de 72 sábios judeus para traduzir a Tanach – e fizeram tudo em 72 dias. Por isso, o resultado é conhecido como Septuaginta. Inclui textos que não constam da Tanach.

Novo Testamento - Século 1

A língua do Antigo Testamento é o hebraico, mas o Novo Testamento foi escrito num dialeto grego chamado coiné. Contém os relatos sobre vida, milagres, morte e ressurreição de Jesus – os evangelhos. Em alguns trechos, vai deixando evidente a divergência entre cristianismo e judaísmo. É o caso, por exemplo, do Evangelho de João, em que Jesus é descrito como uma encarnação de Deus (coisa na qual os judeus não acreditavam).

Católica - Século 4

Seus autores decidiram incluir 7 livros que os judeus não reconheciam. São os chamados Deuterocanônicos: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruque, Macabeus 1 e 2 (mais trechos dos livros Daniel e Ester). A Bíblia católica bate na tecla do monoteísmo: a palavra hebraica Elohim, usada na Tanach para designar a divindade, é o plural de El, um deus cananeu. Mas foi traduzida no singular e virou “Senhor”.

Ortodoxa - Por volta do século 4

É baseada na Septuaginta, mas também inclui livros considerados apócrifos por católicos e protestantes: Esdras 1, Macabeus 3 e 4 e o Salmo 151. A tradução é mais exata (nesta Bíblia, Moisés nunca teve chifres, um erro de tradução introduzido pela Bíblia latina), e os escritos não são levados ao pé da letra: para os ortodoxos, o que conta são as interpretações do texto bíblico, feitas por teólogos ao longo dos séculos.

Protestante - Século 16

Ao traduzir a Bíblia para o alemão, Martinho Lutero excluiu os livros Deuterocanônicos e mudou algumas coisas. Um exemplo é a palavra grega metanoia, que na Bíblia católica significa “fazer penitência” – uma referência à confissão dos pecados, um dos sacramentos católicos. Já Lutero traduziu metanoia como “reviravolta”. Para ele, confessar os pecados era inútil. O importante era transformar a vida pela fé.

Top 5 milagres

I. O maior de todos os milagres divinos foi o primeiro: a Criação do mundo, pelo poder da palavra. “E Deus disse: que haja luz. E houve luz” (Gênesis 1:3).

II. Para dar-lhe uma amostra de seus poderes, o Senhor leva Ezequiel a um campo cheio de esqueletos – e os traz de volta à vida. “O vento do Senhor soprou neles, e viveram” (Ezequiel, 37; 1-28).

III. Graças à benção divina, o herói Sansão tinha a força de muitos homens. Certa vez, foi atacado por um leão. “O espírito do Senhor deu-lhe poder, e Sansão destroçou a fera com as próprias mãos, como se matasse um cabrito” (Juízes 14:6).

IV. Josué liderava uma batalha contra os amalequitas, mas o Sol estava se pondo. Como não queria lutar no escuro, o hebreu pediu ajuda divina – e o Sol ficou no céu (Josué 10:13).

V. Para fugir do Egito, os hebreus precisavam atravessar o mar Vermelho. E não tinham navios. Moisés ergueu seu bastão e as águas do mar se dividiram. Após a passagem dos hebreus, o profeta deixou que as ondas se fechassem sobre os exércitos do faraó (Êxodo 14; 21-30).

O Big Bang e a Expansão do Universo



O universo em que nós vivemos está expandindo. Nós sabemos isto porque nós vemos galáxias e grupos de galáxias se deslocando no universo. Esta expansão tem ocorrido desde que o universo foi formado a 15 bilhões de anos, durante um quente e denso evento conhecido como Big Bang.

Aqui estão seis Perguntas Frequentes sobre a expansão do Universo:

(1) Onde é o centro do universo?

Não há nenhum centro do universo porque não há nenhuma borda do universo. Em um universo finito, o espaço é curvado de modo que você poderia viajar bilhões de anos-luz em uma linha reta e eventualmente você terminaria onde você começou. É também possível que nosso universo seja infinito. Em ambos os exemplos, os grupos de galáxias enchem completamente o universo e movem-se para os lados, em todos os pontos que fazem o universo se expandir (veja a pergunta 2).
A universe with no center or edge
Um exemplo de um universo muito pequeno que contem somente 48 estrelas. Uma nave espacial voando entre estas estrelas não pode encontrar a borda deste universo. Se sair em um lado do universo reentrará no outro lado. As pessoas na nave espacial vêem um número infinito de estrelas ao redor dela. Este universo não tem nenhum limite e nenhum centro.

(2) Onde ocorreu o Big Bang no Universo?

Há uma suposição comum que o Big Bang foi uma explosão que ocorreu no espaço vazio e que a explosão expandiu no espaço vazio. Isto é errado.
O espaço e o tempo foram criados no Big Bang. No começo do universo o espaço era preenchido completamente com a matéria. A matéria estava originalmente muito quente e muito densa e então expandiu e esfriou para eventualmente produzir as estrelas e as galáxias que nós vemos no universo hoje.

Embora o espaço possa ter sido concentrado em um único ponto no Big Bang, é igualmente possível que o espaço fosse infinito no Big Bang. Em ambos os cenários, o espaço foi enchido completamente com a matéria que começou a expandir.
A Expansão do Universo

Não há nenhum centro da expansão, o universo está expandindo simplesmente em todos os pontos. Os observadores em todas as galáxia vêem a maioria das outras galáxias no universo que movem-se afastando-se delas.

A única resposta a pergunta "Onde aconteceu o Big Bang" é que isso ocorreu em toda parte do universo.

(3) A a expansão da Terra com o universo?

A terra não está expandindo e nem o sistema solar, nem a Via-Láctea. Estes objetos foram formados sob a influência da gravidade. A gravidade prende também as galáxias junto em grupos e em aglomerados. É principalmente os grupos e os aglomerados de galáxias que estão movendo-se no universo.

(4) Oque existe fora do universo?

O espaço foi criado no Big Bang. Nosso universo não tem nenhum borda ou limite - não há nenhuma ' parte externa ' de nosso universo (veja a pergunta 1). É possível que nosso universo seja parte de uma infinidade de universos (veja a pergunta 5), mas estes universos não necessitam necessariamente de ' um espaço ' para existir dentro.

(5) Oque existiu antes do Big Bang?

O tempo foi criado no Big Bang - nós não sabemos se existia antes do Big Bang. Esta pergunta, conseqüentemente, deve ser difícil de responder. Algumas teorias sugerem que nosso universo é parte de uma infinidade de universos (chamados ' multiverso ') que estão sendo criados continuamente. Isto é possível mas muito mais difícil de provar.

(6) Se o universo tem 14 bilhões de anos de idade, como poderiam as galáxias ter viajado mais de 14 bilhões de anos-luz?

É provável que nosso universo seja infinito e esteve preenchido com a matéria em toda parte desde o Big Bang (veja a pergunta 2). Há também a evidência de que no início o universo pode ter expandido muito mais rapidamente do que a velocidade de luz. É possível inflar o espaço de modo que embora as partículas não estejam viajando rapidamente, o espaço entre partículas aumente enormemente.
rubber sheet space-time

Nós podemos imaginar que as galáxias são esferas que são colocadas em uma folha de borracha que represente o espaço. Se nós esticarmos a folha, as esferas movem-se para os lado. As esferas que estão próximas mover-se-ão lentamente. As esferas que estão muito separadas parecerão mover-se muito rapidamente. Não há nenhum limite de quão rapidamente o espaço pode expandir-se.

O espaço é a geometria do universo. As mudanças no tamanho ou na forma do espaço ocorrem por causa do movimento da matéria e da energia no universo ou por causa das mudanças no índice da matéria e de energia do universo.

Abaixo você poderá encontrar um documentário interessantíssimo sobre o Big Bang:

Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Parte 6
Parte 7
Parte 8
Parte 9

Deus e o Universo

O que é Deus?

Deus é a inteligência suprema, a causa primária de todas as coisas.
Deus é Eterno, Imutável, Imaterial, Único, * Onisciente, ** Onipotente, *** Onipresente, Soberanamente Justo e Bom.

* Onisciente, o que tudo sabe.
** Onipotente, o que pode tudo.
*** Onipresente, o que está em todo lugar.

Quem já viu Deus?
Ninguém nunca viu Deus.

Como se prova a existência de Deus?
Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?

“Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa.
Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá.”
Para crer-se em Deus, basta se lance o olhar sobre as obras da Criação.

O Universo existe, logo alguém criou ...




As Galáxias, as estrelas, o Sol, o planeta em que vivemos ... O criador de tudo e de todos é DEUS.

O Universo Existe, logo tem uma causa.
Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde fazer alguma coisa.

UNIVERSO = (do latim universus, "todo inteiro", composto de unus e versus) tem várias acepções, podendo ser designado como "a totalidade das coisas objeto de um estudo que se vai fazer ou de um tema do qual se vai tratar".

O Universo tem pelo menos 156 bilhões de anos-luz de largura e está em permanente expansão.

1 ano luz = 9.460.536.207.068 km
Mais precisamente, são 9.460.536.207.068.016 de metros percorridos com uma velocidade de 299.792.458 metros por segundo durante 365 dias.

300.000 km/s x 1 ano = 9,5 trilhões de km.

Só pra ter uma idéia da rapidez, o tempo que a luz leva para percorrer os 149.597.870 de quilômetros que separam a Terra do Sol é de apenas 8,3 minutos.

Galáxias no Universo

Estima-se 100.000.000.000 (100 bilhões) de galáxias no Universo.
Estima-se que cada galáxia tenha 100 bilhões de estrelas.

100 bilhões é o número de planetas que deve existir em meio aos quase 400 bilhões de estrelas da galáxia onde a Terra se encontra, a Via Láctea.




O astrofísico Frank Drake, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, fez a primeira estimativa razoável do número de planetas que albergam vida inteligente no interior da nossa galáxia -- a Via Láctea --, contendo cerca de 400.000 milhões de estrelas.

Fazendo uma série de rigorosos cálculos científicos, tendo por princípio o número de estrelas semelhantes à nossa, o número de estrelas com planetas, o número de planetas semelhantes à Terra, o número de planetas como o nosso, que têm vida, obteve, na sua vertente mais pessimista, o número de N = 20.000 planetas com vida inteligente no interior da nossa galáxia, segundo a sua complexa equação.


Velocidades

* A velocidade da luz no vácuo, simbolizada pela letra c, é de exatos 299.792.458 metros por segundo ( 300.000 Km por segundo), o mesmo que 1.079.252.848,8 quilômetros por hora.

Velocidade da luz = 300.000 kilometros por segundo

** A velocidade do som é aproximadamente 343 metros por segundo ( 0,343 km/s ), o mesmo que 1.234 quilômetros por hora.

*** Avião hipersônico australiano bate recorde mundial de velocidade (18/06/2007)

O avião hipersônico australiano HyCAUSE bateu o recorde mundial de velocidade nesta sexta-feira, ao alcançar 11.000 km/h, o equivalente a Mach 10 - 10 vezes a velocidade do som. = 12.550 quilômetros por hora.

Um ano-luz equivale a 9.460.530.000.000 km

Para se percorrer 1 ano luz com o avião HyCAUSE se levaria 87.248,51 anos

A Via Láctea tem 100.000 anos luz, então levaríamos 8.724.850.598 anos para atravessá-la com o HyCAUSE.

Isto não é surpreendente se você considerar quanto tempo levaria para uma nave estelar de Star Trek cruzar a Galáxia:

Cruzando a Galáxia em uma Nave Estelar (100.000 anos-luz = largura da Via Láctea)

em dobra 6 = 254 anos
em dobra 8 = 98 anos
em dobra 9 = 66 anos
em dobra 9.6 = 52 anos
em dobra 9.9 = 33 anos

Cálculo do Warp Drive ( Dobra Espacial )

Em todo o enredo de TOS (The Original Serie - A Série Original), a velocidade de Warp é regida pela equação – C = Warp ^ (10/3)

- aonde C é a Constante, velocidade da luz e Warp é a velocidade de dobra desejada.

Ou seja, quando o capitão Kirk ordena dobra 6, significa que a nave viajará a cerca de 392 vezes a velocidade da luz:

Em Dobra 6 = 423.360.000.000 km/hora = 254 anos para atravessar a Via Láctea

Limite de Warp é 10

EM DOBRA 9.9 LEVARIA 33 ANOS VIAJANDO A VELOCIDADE DE 3,29724 TRILHÕES DE KM POR HORA PARA ATRAVESSAR A VIA LÁCTEA

c = 300.000 km/s - velocidade da luz
warp 9,9 = 3053c = 3053 x 300.000 km/segundo

= 915.900.000 km/segundo = 3.297.240.000.000 km/hora

300.000 km/segundo = 18.000.000 km/minuto = 1.080.000.000 km/hora

3053 x 1.080.000.000 km/hora = 3.297.240.000.000 km/hora

Nota: esse conceito é implícito a Jornada nas Estrelas, com base no conhecimento científico atual.
Sistema Solar


O Sistema Solar é composto de 8 planetas.


1- Mercúrio
2 - Venus
3 - Terra
4 - Marte
5 - Júpiter
6 - Saturno
7 - Urano
8 - Netuno

Plutão é considerado um planeta anão.

Alguns dados:

Diâmetro do Sol 149.597.871 km
Superfície 6,09 x 1012 km2
Diâmetro da Terra 12.757 km
Superfície 510,070 x 106 km2
Porcentagem da superfície coberta pelos mares 71,3%
Porcentagem da superfície coberta pelos continentes 28,7%
Habitantes encarnados, aproximadamente - 2009 6,6 bilhões
Habitantes desencarnados, aproximadamente 33,4 bilhões
Total de habitantes, aproximadamente 40 bilhões
** Habitantes são considerados espíritos racionais em evolução.


Deus é homem ou mulher ?


michelangelo (criação de adão)


“Deus não é masculino. Ao contrário, ele é pessoal (poderíamos dizer suprapessoal), de modo que a masculinidade e a feminilidade humanas juntas o ilustram melhor do que uma delas sozinha ilustraria. Masculinidade e feminilidade são categorias biológicas, e Deus é Vida para além das categorias biológicas.”

Brian McLaren em Uma Ortodoxia Generosa

A semelhança de Deus conosco, não é algo meramente física. É uma aparência muito mais íntima. É fato que a sociedade em geral, ao longo do tempo, tem desenhado Deus como um ser do sexo masculino. Vemos nas fotos e imagens, Deus sendo um Senhor de barba branca, mas isso não reflete a real aparência de Deus, pois como o catecismo ensina, Deus é Espírito.

A nossa semelhança com Deus é muito maior, e muito mais íntima. Dentro de nós existem traços do Deus que nos criou. Veja um Pai de família. Ao ser Pai, e educar uma criança, o homem se assemelha ao Deus que é Pai. Ao Deus que nos educa, nos ensina, nos projeta para a frente. Essa semelhança é muito maior que o físico. Veja um sacerdote. Quando ele vive a real dimensão do seu sacerdócio, ele se assemelha a Deus. Veja uma mãe. Quando está para dar a luz, se assemelha ao Deus que dá a vida. E depois, ao Deus que percebe nossas necessidades, que ama, que abraça…

Deus traz em si a perfeição. Nós trazemos na nossa natureza traços desse ser único e perfeitíssimo. E se não vivemos, por um motivo ou outro, esses traços, é por que o pecado acabou desfigurando a nossa essência. Precisamos mesmo, resgatar aquilo que Deus pensou de nós e viver isso com intensidade.

Dominus Vobiscum

Deus existe ?

Alemanha
Inicio do século 20

Durante uma conferência com vários universitários, um professor da Universidade de Berlim desafiou seus alunos com esta pergunta:
“Deus criou tudo o que existe?”

Um aluno respondeu valentemente:
“Sim, Ele criou.”

“Deus criou tudo?”
Perguntou novamente o professor.
“Sim senhor”, respondeu o jovem.

O professor respondeu,
“Se Deus criou tudo, então Deus fez o mal? Pois o mal existe, e partindo do preceito de que nossas obras são um reflexo de nós mesmos, então Deus é mau?”

O jovem ficou calado diante de tal resposta e o professor, feliz, se regozijava de ter provado mais uma vez que a fé era um mito.

Outro estudante levantou a mão e disse:
“Posso fazer uma pergunta, professor?”

“Lógico.” Foi a resposta do professor.

O jovem ficou de pé e perguntou:
“Professor, o frio existe?”

“Que pergunta é essa? Lógico que existe, ou por acaso você nunca sentiu frio?”

O rapaz respondeu:
“De fato, senhor, o frio não existe. Segundo as leis da Física, o que consideramos frio, na realidade é a ausência de calor. Todo corpo ou objeto é susceptível de estudo quando possui ou transmite energia, o calor é o que faz com que este corpo tenha ou transmita energia.
O zero absoluto é a ausência total e absoluta de calor, todos os corpos ficam inertes, incapazes de reagir, mas o frio não existe. Nós criamos essa definição para descrever como nos sentimos se não temos calor”

“E, existe a escuridão?”
Continuou o estudante.
O professor respondeu: “Existe.”

O estudante respondeu:
“Novamente comete um erro, senhor, a escuridão também não existe. A escuridão na realidade é a ausência de luz.
A luz pode-se estudar, a escuridão não!
Até existe o prisma de Nichols para decompor a luz branca nas várias cores de que está composta, com suas diferentes longitudes de ondas.
A escuridão não!
Um simples raio de luz atravessa as trevas e ilumina a superfície onde termina o raio de luz.
Como pode saber quão escuro está um espaço determinado? Com base na quantidade de luz presente nesse espaço, não é assim?
Escuridão é uma definição que o homem desenvolveu para descrever o que acontece quando não há luz presente”

Finalmente, o jovem perguntou ao professor:
“Senhor, o mal existe?”

O professor respondeu:
“Claro que sim, lógico que existe, como disse desde o começo, vemos estupros, crimes e violência no mundo todo, essas coisas são do mal.”

E o estudante respondeu:
“O mal não existe, senhor, pelo menos não existe por si mesmo. O mal é simplesmente a ausência do bem, é o mesmo dos casos anteriores, o mal é uma definição que o homem criou para descrever a ausência de Deus.
Deus não criou o mal.
Não é como a fé ou como o amor, que existem como existem o calor e a luz.
O mal é o resultado da humanidade não ter Deus presente em seus corações.
É como acontece com o frio quando não há calor, ou a escuridão quando não há luz.”

Por volta dos anos 1900, este jovem foi aplaudido de pé, e o professor apenas balançou a cabeça permanecendo calado…

Imediatamente o diretor dirigiu-se àquele jovem e perguntou qual era seu nome?

E ele respondeu:
“ALBERT EINSTEIN.”